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Reconfigurando sua carreira para além do CLT


Fui criada em um lar onde mamãe era dona de casa e cuidava de três filhos, enquanto papai trabalhava como advogado, lutando o dia a dia de um autônomo, que precisava fazer seus ganhos diariamente. Alternávamos períodos de fartura – quando entravam boas causas e aperto- quando as mesmas, escasseavam. Mamãe achava que papai deveria ter um emprego fixo, salário e benefícios já que a vida de autônomo era muito incerta. Esta época já foi há mais de 40 anos e esta discussão continua viva.

Aos 17 anos comecei a trabalhar, porque logo percebi que papai não teria como bancar meus desejos para além de casa, comida e estudos. Tinha ainda o fato de que eu odiava depender dos outros, me sentia um “peso”, receber ordens.. Eu era rebelde, meio anarquista. Mais tarde, já na faculdade e após alguns assessments, descobri um Dominância e uma Influência (DISC) muito alta, aliada a uma âncora de carreira voltada para autonomia, independência e apreciação por coisas novas, diferentes e fora da rotina. Como uma pessoa assim se adequaria ao mundo organizacional tradicional, né? Bem, eu trabalhei por cerca de 19 anos em diferentes empresas, de diferentes portes e segmentos, chegando a posições gerenciais, não sem muitas lutas internas.

Então, eu quero dividir contigo um pouco da minha trajetória e contar umas dicas que usei para te ajudar a repensar minha carreira para além do CLT.

Há em comum entre o mundo de hoje e o final dos anos 80 e inícios dos 90 quando eu comecei meu trabalho como CLT, o cenário adverso da escassez galopante de empregos. Por motivos diferentes, é claro. Mas, o Brasil vivia a abertura econômica pós ditadura, enfrentando um mundo bem mais competitivo e globalizado, com hiperinflação, seguida do plano Collor com confisco de poupança, turbulência política, a era do downsizing e o ápice da AIDS, que cifava muitas vidas mundo afora. Então, meu caro e minha cara, não tive moleza não. Rapidamente percebi que depender de emprego seria ter sempre uma vulnerabilidade econômica complicada.

Passei a adotar algumas estratégias bem intuitivas e que depois se refinaram com estudos. Devo lembrar que a Força do Amor ao Aprendizado e a Curiosidade sempre se destacaram em mim. Adoro ler e aprender! Lia de tudo que me falavam. Nas bibliotecas das escolas públicas onde estudei, eu lia os livros nas prateleiras por ordem alfabética- não importava o assunto. Eu lia dicionário, acredita?! Gostava de sorver de todas as áreas do saber. E na minha casa, faltava umas coisinhas, vez por outra, mais nunca livros, revistas e jornais. Papai também é um leitor voraz que me apresentou Shakespeare, Freud, Sartre, Madame Bovary, entre outros, ainda na pré-adolescência. Mas, voltemos as dicas!


1) Autoconhecimento é vida! Saiba quem você é e o que veio fazer neste mundo, mesmo que vá descobrindo aos poucos e mudando os propósitos conforme a vida siga. Não se compare a ninguém. Se inspire, pegue conselhos, mas siga seus instintos ou intuições. Não economize de investir na sua matéria prima. É com ela que você viverá 24h dia, 365 dias ano, até seu último suspiro.


2) Em cada empresa ou cargo que eu ocupava, eu analisava a minha equipe – colegas ou liderados e pensava no que lhes faltava, onde estava o gap, consequentemente, a oportunidade de melhoria da área, da entrega de valor.

Por exemplo: quando trabalhei na área de Remuneração, em uma empresa de Varejo, no final dos 80, percebi que não seria aprendendo estatísticas e cálculos que eu brilharia e diferenciaria as entregas do departamento, porque todos lá eram muito melhores e mais experientes que eu nisso. Mas, que faltava mostrar aos líderes e aos colaboradores como eram feitas as progressões salariais, como era o mecanismo das reposições inflacionárias nos salários – chamávamos gatilho na época da hiperinflação. Isso me deu uma visibilidade incrível, além de alavancar a gestão salarial por parte dos líderes, aumentando a autonomia e o engajamento dos mesmos aos padrões orçamentários da empresa, além de melhorar o clima e satisfação dos colaboradores. Também me concentrei em montar uma estrutura salarial para uma empresa de turismo recém adquirida pela Holding do grupo, que era um negócio pequeno e tocado de uma forma bem amadora. Assim, este negócio profissionalizou-se e chegou quase ao nível das demais empresa do grupo e eu brilhei junto, ganhando bônus de destaque.

De outra feita, trabalhei em uma indústria de papel que não tinha mão de obra técnica em determinada localidade geográfica, daí fiz uma parceria com o SENAI para implementar lá um curso técnico usando as instalações da fábrica como ponto de estágio e nutrindo a empresa de boas fontes de recrutamento. Sanei um problemão, ajudei a comunidade e dei espaço para muitos jovens se profissionalizarem. De novo, marquei um golaço!


3) Percebi que utilizar meus conhecimentos em experiência em outros contextos, além de diversificar minha rotina, me ajudavam a ter outras fontes de renda e contribuir com ajuda para um maior grupo de pessoas. Assim, já que eu trabalhava com treinamento ensinando e preparando pessoas, comecei a fazer trabalhos voluntários que me davam experiência e visibilidade no mercado e mais a frente geraram convites para palestras e treinamentos em times de forma remunerada e dos quais eu aproveitava e fazia reserva financeira. Foi assim na Junior Achievement, no Balcão Sebrae, na Quero na Escola, no Grupo de Mulheres de negócios de Niterói, na Ação Humana (Cooperativa que ajudei a montar para reunir consultores), na ABRH-RJ, no Grupo Mulheres do Brasil, entre outros. Passei a ajudar pessoas indicadas ou mesmo colegas que precisavam se recolocar ou queria aprender mais sobre si mesmo. Fazia permuta de serviços- por exemplo, uma amiga de Marketing tinha uma Escola de Inglês e queria treinar seus professores e não tinha budget para isso. Eu queria a folheteria de Marketing na minha empresa e também não podia pagar. Trocamos serviços. Fiz isso também com um salão de beleza, treinando as equipes em troca de manicures, escovas e outros “luxos” importantes para mim.



4) Todos os cursos que fazia, por minha conta ou oferecidos pela empresa, eu gostava de conhecer as pessoas, saber o que elas faziam e me oferecia para contribuir com suas jornadas. Tipo simpática e mega apaixonada por gente, eu sempre marcava presença. Com os professores e instrutores dos cursos, gostava de entrevistá-los, pegar dicas, entender a trajetória deles. Creio que eu era do tipo “mala-nerd” e que por isso, sempre causava uma boa impressão e conseguia algum convite para outra palestra ou fórum, descontos e bônus; por vezes, uns livros muito bons e autografados. Lembra que nesta época não havia distribuição de conteúdos como temos hoje, né? Não era muito fácil ter acesso a certos fóruns, isso sempre foi muito orgânico e genuíno em mim. Eu não fazia estes movimentos pensando intencionalmente em obter alguma coisa em troca. Eu fazia porque eu era (sou) realmente muito curiosa e adoro compartilhar conhecimentos. Eu queria saber mais um pouco, mais a fundo. Não gostava de parar na primeira informação. Até hoje eu leio o CV dos autores dos livros e palestras para saber onde e o que eles estudaram e ir buscar um pouco mais.


5) Colchão financeiro- fui percebendo, desde menina, que quando a gente não tem reserva financeira, as adversidades da vida se tornam bem piores. Um cano que quebra em casa, um problema de saúde repentino, uma necessidade de socorrer um amigo ou familiar, uma perda de emprego, podem te abater. Até mesmo manter nossa consciência limpa pode ser impactado pela falta de colchão financeiro. Por exemplo, já fui pressionada em um emprego a compactuar com uma ação irregular – fingir que não vi, que não sabia- o que me tornaria cúmplice na consciência, apesar de meu nome não estar vinculado à situação. O preço pela denúncia seria a demissão. Não denunciei – a briga seria grande, mas, me demiti. Imagina sem colchão financeiro? como abrir mão de 60% da renda de sua família- minha situação na época- para seguir sua ética? Não é simples. Então, amigo, eduque-se financeiramente. Reserva, colchão, não é sobre quanto você ganha, mas quanto você consegue guardar. Idealmente seis meses de seu custo de vida. Por isso, um pouco menos de consumo e um pouco mais de minimalismo.


6) Fé e otimismo. Criada em um ambiente religioso- mãe e avós católicas e pai espírita kardecista, a prece, a fé e a caridade sempre estiveram presentes em minha vida. Sempre tive exemplos de compaixão e ajuda ao próximo, sempre tive Deus como membro da família. Então, eu me acostumei a crer que a vida reservava coisas boas para mim. Cria ser merecedora de coisas boas (não materialmente falando). Entendia que ser humano nasceu pra brilhar e que as adversidades são passageiras e mensageiras de aprendizados, que devemos absorver. Desta forma, cocriava meu mundo com disciplina, esperança e humildade. Também nunca fui apegada a nada material na vida. Entendi logo cedo, que nosso maior patrimônio é moral e espiritual. Entendi que eu poderia ter coisas e ser uma má pessoa e isso não me serviria de nada. Mas que eu poderia ser materialmente carente, mas que se tivesse nobreza de caráter e um nome honrado, isso me valeria bem mais. Entendi, por fim, que ser uma alma nobre e ter conforto material são coisas possíveis e disponíveis para todos. Sempre contava para Deus o que eu pretendia fazer e pedia seus conselhos. Quando ele me mandava os sinais eu entendia e reconfigurava a rota. Não me pergunte como eu sabia isso. Não me peça para lhe explicar. Não saberia. Sentia no meu coração. Sempre me pautei assim. Só fazia o que achava sentido e de coração. Nunca temi as adversidades e passei por muitas. Brigava com Deus e tomava satisfação Dele quando algo dava muito errado. Dizia a Ele que eu não estava entendendo e então “exigia” que ele melhorasse a explicação. Ah, que menina incrível e doidinha eu fui!

Com estas seis dicas, espero poder te ajudar a atravessar suas adversidades com diligência e otimismo. Espero que você abra sua visão para as infinitas possibilidades que o trabalho pode te dar e que seu valor está para além do seu crachá ou do carimbo que tenha em sua CTPS. Você pode ser seu próprio patrão e oferecer ao mundo seus dons e talentos de maneira nobre e digna para além dos status que o mundo lhe dita. Use seus recursos como a parábola dos talentos. Multiplique-as ofertando no mundo. Esta é uma garantia de ter uma boa renda? Não sei. Funcionou pra mim. Tenho muita paz e uma legião de pessoas que me são gratas pelas ajudas. Bem como, tenho o dobro de pessoas a quem sou mais grata ainda por terem cruzado meu caminho. Assim como você agora.

Bem, se você curtiu este artigo, me deixa saber e fica comigo porque falaremos de cada uma destas dicas nas minhas redes sociais. Também posso te ajudar, através de mentoria, consultoria e treinamentos, a desenvolver competências individualmente, no seu time ou para sua organização.

E quem sou eu? Sou Lucimar Delaroli, psicóloga, coach e mentora de líderes e de profissionais de RH business partner, trabalhando com desenvolvimento Humano há mais de 30 anos e mudadora de mundos. Me chama e vamos juntos!

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