Buscar

Qual o sentido do trabalho?



Após atender uma jovem mentorada que estava angustiada porque não tinha clareza de seu propósito no trabalho, vim refletir e folheando minha revista Vida Simples, me deparei com a matéria que traz justamente esta pergunta: Qual o sentido do trabalho?


Por que minha mentoranda se angustiava tanto dado que ela tem um trabalho, ela gosta deste trabalho, aprende e convive bem com as pessoas? Isso, por si só, não basta? Não, ela crê que precisa de uma clareza de propósito. Ela sofre uma pressão, trazida pela excessiva cultura capitalista aliada a um discurso motivacional distorcido de que sem propósito não se tem felicidade. Será mesmo?


Por que estamos trabalhando tanto? Claro, excluo aqui aqueles que estão em trabalhos precarizados, mal remunerados, “pejotizados”, “uberizados” nas piores condições. Isso eu sinto sinceramente. Além, é claro, dos que estão sem trabalho. Gostaria muito que pudéssemos ter mais amparo para minimizar estas distorções tão cruéis e desiguais. Mas, voltando ao tema central deste post.


Este volume de trabalho excessivo em nome de uma produtividade impossível está nos adoecendo, e muito. Além de esgotar os recursos não renováveis do planeta e aumentar ainda mais as desigualdades sociais; temos a falta de educação inclusiva que prepare os trabalhadores para ocupar os postos de trabalho cada vez mais escassos e complexos; bem como, a automação desenfreada, extinguindo mais alguns milhões de empregos.


Podemos viver de maneira mais harmoniosa com o que fazemos e nos diferentes papéis que ocupamos na vida? Sim, eu creio e comigo muitos. Tanto que já temos empresas que estão reduzindo a jornada semanal de trabalho e até mesmo adotando a semana de apenas quatro dias úteis. Por compreenderem os impactos que isso traz não só às pessoas como também ao consumo, lazer, saúde e meio ambiente.


Outro ponto a refletir, relembrando minha jovem mentorada, é que este excesso de positividade dos discursos motivacionais e protagonistas, pressionam as pessoas na direção de busca desenfreada por propósito como fonte de bem-estar e sucesso. E isso tem se mostrado reiteradamente ineficiente e fonte de grande tensão emocional que empalidece suas conquistas, vitórias e a harmonia possível entre os diferentes papéis de sua vida.


Ter clareza do seu propósito e tê-lo alinhado a seu ofício e vocação, te coloca num lugar de exceção e não de regra. Talvez você possa ser um “sortudo” mais do que um “protagonista”. Ter um propósito não é algo naturalmente dado e precisa de conjunturas corretas para ser descoberto ou encontrado.


Abraham Maslow (psicólogo americano, 1908-1970) nos esclareceu sua teoria da hierarquia das necessidades (conhecida erradamente como pirâmide de Maslow) que uma pessoa só consegue ter energia e foco para a busca da próxima necessidade quando a anterior está saciada e não é mais fonte de preocupação. Ou seja, para ter autorrealização e busca por propósito, é preciso antes ter suas necessidades mais emergentes atendidas: alimentação, abrigo, segurança física e emocional, inclusão, pertencimento... Pensem em nossas condições de vida pós pandemia! Quem de nós tem energia e foco para pensar no transcendente quando o básico é uma luta diária? Qualquer coisa que ameace nossa subsistência e dos que amamos já é o suficiente para nos roubar a paz necessária para o propósito do trabalho.



Além do mais, pelo conceito japonês do IKIGAI, nosso propósito precisa convergir as necessidades do entorno: pessoas que precisem, desejem e possam pagar pelos seu trabalho; as competências e vocações necessárias para executar estes serviços e por fim, os meios e recursos para desenvolvê-los. Se um destes falhar, lá se foi seu IKIGAI ou propósito e você vai fazer o que pode com o que tem.


Por fim, há muitas pessoas que não se sentem prontos ou vocacionados para serem empreendedores ou diferenciados. Contentam-se em colaborar, ajudar na causa dos outros, contribuir, somar esforços, fazer parte da turma que fez, tal qual as formigas operárias. Elas ajudam no formigueiro, mas, só há uma que é rainha. Cada uma no seu papel. Que história é esta de que só serve se for a rainha do formigueiro? Ser operária é tão digno e valoroso quanto. Daí a crítica ao propósito tóxico.



Bora aproveitar a jornada da vida. Viver é o propósito. Crescer, aprender, errar, acertar, ajudar, somar, reconectar-se com a vida e seus altos e baixos... harmonizar os diferentes papéis da vida, humanizar e dignificar a vida e as relações. Este é o propósito.


Se você gostou deste texto, me deixa saber e me ajuda a distribuí-lo por sua rede, compartilhando. Inclusive, durante esta semana eu abordo temas diversos em posts diários nas redes sociais.


E quem sou eu? Sou Lucimar Delaroli, psicóloga, coach e mentora de líderes e de profissionais de RH business partner, trabalhando com desenvolvimento Humano há mais de 30 anos e mudadora de mundos. Me chama e vamos juntos!

Posso te apoiar com treinamento para líderes e RH, rodas de conversa, palestras de promoção de saúde emocional e ambiente psicológico seguro, autoconhecimento com assessment de perfil ou mentoria. Bora mudar seu mundo?

15 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo