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POR QUE ESTAMOS TRABALHANDO TANTO?

Que o mundo B.A.N.I.* já existia antes da pandemia, não resta dúvida. Mas, que a pandemia deu uma acelerada e provocou um cataclisma de proporções gigantescas na vida dos humanos na face do planeta Terra é inquestionável! Não há um ser consciente e atento, neste planetinha azul, que não tenha sentido o impacto destas mudanças. Se para o bem ou para o mal, se nos tornaremos melhores ou piores, serão escolhas individuais e o tempo dirá. No entanto, o tema de hoje é por que estamos trabalhando tanto?


São tantas as possíveis explicações! O fato é que precisamos trocar a asa do avião à jato em pleno vôo. Esta é a melhor metáfora que encontro para ilustrar.


Uma recente pesquisa feita no Linkedin (fonte: miriangasparin.com.br), mostrou que :

  • 68% dos respondentes dizem estar trabalhando até uma hora a mais no trabalho remoto do que no trabalho apenas presencial.

  • 21% dizem estar trabalhando até 4h a mais.

  • 24% se sente pressionado em responder mais rapidamente às mensagens e demandas por estarrem on line (ou seja, on line= disponível).

  • 27% declaram enviar e-mais fora do horário do expediente (só 27%?).

  • 18% estão preocupados em mostrar que estão ocupados por medo de perderem o emprego (também achei este número baixo).

Eu também fiz uma pesquisa no Linkedin 2ª quinzena de Julho/22. Eis as respostas!


Para mim, uma importante causa é : Pura falta de planejamento!

Decorrente de que? Da dificuldade com o manejo do tempo- uma significativa competência que pode e deve ser aprendida e fortalecida, associado a um mindset fixo. Ou seja, verdades e crenças cristalizadas em sua mente que levam a ter um modo automático e vitimista de ver a vida e o trabalho como fardo, sacrifício e peso. Herança ancestral. Para termos gozo precisamos sofrer. Nada vem sem sacrifício.


Há uma Crença muito limitadora, de que estar ocupado é igual a ser produtivo. Mantendo-se ocupado, sentimo-nos valiosos. Sim, numa sociedade extremamente capitalista, o valor da pessoa está associado ao que ela produze não ao que ela é por si. Chegamos ao ponto de quem estar sem trabalho se sentir um inútil e sem valor –sentimento muito mais forte do que a real dificuldade que a falta do dinheiro traz, concordam?

É como se não produzir muito fosse igual a não valer muito ou valer quase nada. Crença de que trabalho é igual a esfalfar-se – não a toa a origem da palavra vem do "tripalis" ou “tripalium” (instrumento de tortura medieval). Por aí também a hiper valorização da juventude (força, vigor, trabalho) e uma desvalorização da velhice (fraqueza, inutilidade, peso).


Estas crenças arraigadas nos levam aonde? Burnout e boreout (podemos falar mais sobre isso em outro artigo); além do adoecimento emocional que nos coloca como um dos países campeões em número de pessoas ansiosas no mundo, além de nossas enormes taxas de depressão.


Vamos pensar sobre isso?

É verdade mesmo que estar ocupado é igual a ser produtivo?

É verdade mesmo, você jura por Deus, que seu valor está naquilo que você produz em forma de trabalho/emprego?

Se não, o que mais trabalhar muito te diz sobre você, sobre seu valor?

De que ou quem você foge quando vai tão pra fora de si e se ocupa tanto com o que é externo?

O que o silêncio, as pausas e a calma de fora poderão deixar você ouvir que virá de dentro de você?

E como isso fará você descobrir coisas sobre você?


Outro ponto fundamental: Até quando você irá tolerar a dificuldade com a habilidade do uso de ferramentas e métodos de planejamento e organização do trabalho?

Quando você dedicará tempo, atenção e foco para aprender boas regras para o uso das ferramentas e aplicativos?

O modo com que você usa whatsapp, zoom, teams, entre outros é o melhor modo para sua paz e produtividade? S

e não, o que você pode fazer a respeito disso?

E os aplicativos disponíveis no mercado para facilitar sua vida, abrir espaço na preocupação da sua mente, tais quais everynotes, trello, todoist, você conhece, usa, obtém benefícios destas tecnologias?


Já estamos há quase dois anos em teletrabalho ou home office e muitas pessoas ainda tem limitações com a capacidade de seus equipamentos (celulares, computadores, notebooks, entre outros): quantidade e velocidade de memória, de banda larga, de acesso a informação.

Muitas empresas e o próprio governo não se mexeram em criar facilidades e acesso a estas tecnologias e máquinas tão cruciais para o trabalho remoto. Antes pelo contrário, o preço destas “facilidades” disparou e muitas empresas, deixam a cargo do próprio trabalhador o custo que isso traz para produzir, trabalhar, excluindo miuitas pessoas do mercado de trabaho, inclusive.


Some-se a este fatores, as distrações e interrupções de que o trabalho em casa está sujeito e acrescente a desorganização pessoal: falta de espaço, de privacidade, de apoio, de método, entre outros. Voil a lá! A fórmula da (des)produtividade.


Mas, para ir concluindo que este artigo tá virando um livro, estamos falando da falta de tempo ou do mau uso do tempo? Mas, de qual tempo estamos falando?


Temos o tempo Chronos e o tempo Kairós- referência aos deuses gregos do tempo.

O tempo Cronos que conta dias, meses, anos, minutos e segundos. Uma invenção humana que nos aprisionou na correria sem fim, tornando-nos quase o coelho da Alice. Para este deus, é imperativo ter foco, prioridade e fazer escolhas. Se você não trabalha para seus objetivos e metas, estará trabalhando para os objetivos e metas de alguém. E, mais importante, se você não sabe para onde vai, não tem como priorizar, escolher. Pense nisso! Correr, correr, para onde? Em busca de que? Fugindo de que?

Se seu problema é com o Crosnos, tá mais fáci. Te sugiro conhecer o Cristian Barbosa, a Thais Godinho, o Seeiti Arata, além do Producast -podcast no Spotify.



Mas, se seu gap for no deus Kairós, aí, só autoconhecimento mesmo. Quem é este Kairós? É o deus do tempo interior. O deus da sua curva de aprimoramento, da contemplação, da reflexão, do estado de flow. É o deus que dá o seu ritmo próprio as coisas. Tempo de laborar e de pausar. Tempo de semear e de colher. Tempo de aprender e de produzir. Em ciclos, com calma e constância. Tempo com sentido e propósito. Com construção de um patrimônio emocional abundante e nutridor.

Pensa nisso. Este tempo é tão imaginário e seu quanto o tempo Cronos. É de graça e acessível à todos. Você já pensou se sua vida tivesse mais Kairós? O que te impede?


*Brittle, Anxious, Nonlinear and Incomprehensible — Frágil, Ansioso, Não linear e Incompreensível) foi cunhado pelo antropólogo norte-americano Jamais Cascio e se tornou conhecido em 2020.


Se você gostou deste texto, me deixa saber e me ajuda a distribuí-lo por sua rede, compartilhando. Inclusive, durante esta semana eu abordarei estes temas em posts diários nas redes sociais.


E quem sou eu? Sou Lucimar Delaroli, psicóloga, coach e mentora de líderes e de profissionais de RH business partner, trabalhando com desenvolvimento Humano há mais de 30 anos e mudadora de mundos. Me chama e vamos juntos!

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