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Sobram chefes e faltam líderes


O número recorde de pedidos de demissões nos Estados Unidos em abril passado (2021) parece materializar uma tendência que o pesquisador Anthony Klotz, especialista em psicologia organizacional, batizou há alguns anos de "a Grande Renúncia" — um realinhamento no mercado de trabalho em que uma parcela considerável de pessoas, por diversos motivos, estão escolhendo largar seus empregos. (fonte:Correio Braziliense)


Esta realidade americana não pode ser totalmente transposta para o Brasil. Temos questões mais graves e urgentes a resolver. Mas, fato é que, pelo menos 7 entre 10 trabalhadores inseridos no mercado de trabalho estão insatisfeitos. Mais de 80% deles, em diferentes pesquisas formais e informais, desejam ou pretendem trocar de emprego ou mesmo deixar de ser empregado.


O que está acontecendo? Inúmeros fatores. Trabalharei com um foco específico aqui, para não me estender demais.


1) O ESGOTAMENTO. Com quadros reduzidos nas empresas, não há trabalhador presencial, híbrido ou remoto que não esteja produzindo por 2 ou mais. A carga de trabalho aumentou, a jornada de trabalho aumentou, a pressão aumentou e as demandas pessoais para cuidar da família (enlutada, adoentada ou em home schooling).


2) A PRECARIZAÇÃO das condições de trabalho. A Pjotização (trocar empregados registrados por trabalhador com CNPJ), a baixa remuneração, a perda de direitos trabalhistas, a falta de recursos ou equipamentos para trabalhar, entre outros.



3) A Falta de oportunidades de crescimento, promoção e perspectivas de ascensão na pirâmide organizacional.


Todos estes fatores, e outros mais, somados a uma baixa interação social com as equipes - inclusive por conta do trabalho remoto; falta de reconhecimento, feedback e feedfoward; um ambiente de baixa segurança psicológica e inclusão de diversidade, formam o “caldo” necessário para esta “grande renúncia”.


Qual é o elemento que pode atuar e alterar para melhor, de modo significativo, este contexto? O líder!

Mas, de que se trata a liderança? Por que encontramos tantas pessoas, inseridas no mercado de trabalho, reclamando de seus chefes?


Primeiro vamos esclarecer que chefe ou gestor é um cargo que cuida de processos, equipamentos e recursos. Já líder é uma função – exercida independentemente de cargo- de relacionamento, de influência interpessoal. Gerencia-se recursos e Lidera-se pessoas. Nem todo chefe é líder e nem todo líder é chefe. São duas funções distintas e complementares, que exigem habilidades diferentes.


Ocorre, que mesmo com todas as evidências científicas, literatura e fontes confiáveis, vastas e gratuitas disponíveis em diferentes mídias, as empresas continuam errando feio na identificação, desenvolvimento e meritocracia dos líderes.


Promove-se ou recruta-se “líderes” por habilidades técnicas de gestão. Geralmente, um(a) profissional dedicado e tecnicamente bom, passa a ser considerado automaticamente um candidato a chefe, até como forma de reconhecimento, promoção e aumento salarial. No entanto, não costuma investigar o interesse e as habilidades para exercer liderança de pessoas. Sim porque são carreiras, tarefas, dedicação totalmente diferentes. Liderar trata-se de ajudar as pessoas a se desenvolverem, brilharem, terem espaço para autonomia e ação. Gerir tem relação com planejar, controlar, executar, percebe?


Então, promove-se pessoas que desejam atual tecnicamente, controlar os processos, dizer o modo como se deve realizar cada coisa, dar o tom para líderes. O time, que é treinado (ou deveria ser) para executar, assumir as tarefas, espera orientação, incentivo, feedback, aprendizado e recebe comando e controle. As expectativas de ambas as partes se frustram grandemente! “Líderes” que reclamam da falta de iniciativa ou accountability dos liderados e colaboradores que reclamam da micro gestão ou da falta de conexão com seus “líderes”. É uma relação “perde-perde”.


A gestão, também já está sendo descentralizada para máquinas, automação, compartilhamento de campos diferentes e complementares de saber, visto que o mundo VUCA/BANI não tem dado muito espaço para soluções prontas, processos massivos e repetitivos. Precisamos de inovação. O cliente requer a sua própria experiências e os processos precisam ser ágeis e flexíveis. Estas novas demandas não combinam com cadeia e comando. As organizações precisam urgentemente se redesenhar e a liderança faz uma falta e uma diferença brutal.

Se você deseja ser líder e é apenas gestor. Está mais que a hora de se requalificar, se reposicionar e sair do topo para a base e passar a apoiar e desenvolver seu time para ele brilhar. Se você ainda deseja estar no topo e brilhar por si, sua carreira deveria ser solo, como um especialista muitíssimo destacado, um chamado “mosca branca”. Mesmo assim, se não souber trabalhar com a equipe desenvolvedora e apoiadora de suas brilhantes ideias, você não chegará a muito longe.

O mundo está cada dia mais interdependente e interconectado. Juntos sempre somos mais. Pessoas são para brilhar. Todas elas!


Quando sua organização irá rever os processos de desenvolvimento e gestão de líderes?


Se você gostou deste texto, me deixa saber e me ajuda a distribuí-lo por sua rede, compartilhando. Inclusive, durante esta semana eu abordarei estes temas em posts diários nas redes sociais.

E quem sou eu? Sou Lucimar Delaroli, psicóloga, coach e mentora de líderes e de profissionais de RH business partner, trabalhando com desenvolvimento Humano há mais de 30 anos e mudadora de mundos. Me chama e vamos juntos!

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