Para a especialista em emprego e gerenciamento de Recursos Humanos, Lucimar Delaroli, há mais de 20 anos no mercado, este é o pior momento para demissões.

 

Mário Tonocchi – 20/1/2009 – 21h28

Das dez melhores empresas para trabalhar no Brasil, segundo o ranking 2008 da revista especializada em emprego e mundo corporativo Você S/A, as quatro mais afetadas pela crise internacional já demitiram. As demais ainda não sentiram efetivamente os efeitos da crise. Escolhidas pela referência em políticas e práticas de gestão de pessoas, bons benefícios, autonomia para trabalhar, desafios constantes, oportunidades de carreira, além de ótimo ambiente interno, as empresas que optaram pela demissão como primeira medida em meio à turbulência econômica, observaram que não havia outra saída.

 

A Volvo, de Curitiba (PR), primeira colocada do ranking no ano passado, ironicamente foi a primeira montadora no Brasil a reduzir o quadro de funcionários. No dia 2 de dezembro, cortou 430 vagas, das quais 250 eram temporários e 180 efetivos, de um total de cerca de 2,7 mil que empregava.

Para a especialista em emprego e gerenciamento de Recursos Humanos, Lucimar Delaroli, há mais de 20 anos no mercado, este é o pior momento para demissões. Rescindir contratos agora, depois de lucros recordes, é uma clara afirmação aos colaboradores de que eles são “despesa e que devem ser atirados para fora do barco nos primeiros sinais de turbulência e retração econômica.” Ela sugere manter o que chama de quadro criativo. “O funcionário criador é o primeiro a perceber o descaso e perder esse colaborador vai significar novos investimentos quando a economia voltar a aquecer”, disse Lucimar.

 

A atitude “precipitada”, segundo a especialista, de demitir agora, afeta diretamente a motivação produtiva interna e a imagem de responsabilidade social das corporações. “Uma empresa não pode, ao mesmo tempo em que demite empregados, trocar a frota de veículos de seus executivos”.

 

No ranking das dez empresas instaladas no Brasil que demitiram aparece também a ArcelorMittal Brasil. No final do mês passado, abriu processos de demissão voluntária para as 3,4 mil pessoas que trabalham para o grupo, em Minas Gerais. A justificativa foi a queda nas vendas nos últimos três meses. Apesar disso, no primeiro semestre do ano passado, registrou crescimento de 38,2% na receita ante igual período de 2007. Nos seis primeiros meses de 2008, faturou US$ 5,93 bilhões, ou 8,8% da receita total do grupo no mundo.

A Caterpillar, de Piracicaba, interior paulista, retomou a produção na segunda-feira, depois de conceder férias coletivas, desde o dia 5, aos 5.119 empregados. A empresa informou que não há planos de mais demissões. Nas últimas semanas de 2008 foram desligadas 377 pessoas.

 

Já a Albras, de Barcarena (PA), produtora de alumínio, demitiu 18 de seus cerca de 1,3 mil funcionários, no final de dezembro passado. Segundo a empresa, as demissões refletem um ajuste da gerência de Recursos Humanos.

 

Entre as demais empresas relacionadas como as dez melhores para trabalhar, aparecem a Chemtech, do Rio de Janeiro; a Landis Gyr, de Curitiba. e Promom, de São Paulo, todas voltadas para soluções industriais que ainda mantêm os trabalhos de investimentos. Também estão listadas o Laboratório Sabin, de Brasília, a da Masa, de Manaus, empresa de plásticos, e o Serasa, de São Paulo, que ainda não demitiram em massa diante da crise.

 

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, demitir trabalhador no Brasil é barato e mais fácil que manter um colaborador competente.